CULTURA NÃO CONGELA. TEATRO NÃO SE FECHA

08.02.17

CULTURA NÃO CONGELA. TEATRO NÃO SE FECHA

Levamos a bandeira do MOTIN - Cultura não congela, Teatro não se fecha - , junto a outros artistas e grupos para o encontro com o secretário de cultura, André Sturm, e representantes da pasta nesta terça (7/02). O diálogo apenas reforçou a situação de EMERGÊNCIA em que se encontra a Cultura de São Paulo. Sob gritos de protestos e faixas na sala Adoniran Barbosa, do Centro Cultural São Paulo, um público de mais de 500 pessoas marcaram presença e disseram NÃO ao congelamento de 43,5% do orçamento previsto para a Secretaria de Cultura.  

No final do encontro, o secretário assinou um documento apresentado pelos artistas no qual se compromete a lutar pelo descongelamento integral do orçamento da Cultura.

Na nossa página do Facebook, é possível assistir em vídeo alguns momentos do encontro que acabou não sendo transmitido - como fora previsto - pelo canal da Secretaria no Youtube. Entre alguns momentos do encontro que começou pouco depois das 18h, destacamos a fala do presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, integrante da diretoria do MOTIN, do presidente do MOTIN, o diretor e dramaturgo Pedro Granato, e do secretário de cultura, André Sturm.

Rudifran Pompeu, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, e um dos diretores do MOTIN, fala sobre orçamento previsto em lei orçamentária

"Lutamos para que a pasta de cultura tivesse mais do que os R$ 480 milhões proposto, naquele momento, pelo executivo. Não conseguimos muito, mas conseguimos elevá-lo para R$ 518 milhões, foi o valor que conquistamos na Câmara, previsto em Lei Orçamentária. Na imprensa, no entanto, foi divulgado que a verba destinada à Cultura era de R$ 453 milhões, faltam, então, R$ 65 milhões que não sabemos exatamente onde estão mas que constam no orçamento aprovado no Legislativo. A Secretaria tem um custo, com funcionários, de R$ 121 milhões, e mais R$ 100 milhões, aproximadamente para custos com vigilância, limpeza, internet, água, luz, etc. Portanto, a pasta opera com cerca de R$ 220 milhões. O que significa que se houver um congelamento de 43,5% do orçamento, a  verdade é que o secretário tem mais ou menos R$ 255 milhões para trabalhar. Sendo que destes, R$ 220 milhões estão comprometidos para seu próprio custeio o que restam para atividades e políticas públicas de cultura pouco mais de R$ 34 milhões. Quer dizer, este congelamento inviabiliza totalmente a pasta da Secretaria.

"Exigimos, por respeito a cidade, aos artistas e movimentos culturais de toda São Paulo que se descongele imediatamente os recursos da Cultura. Que se cumpra a legislação, uma vez que as políticas culturais estruturantes que foram construídas na forma da lei em diálogo com a cidade, os artistas e o parlamento sejam continuadas e não, em hipótese alguma, atrasadas."
 (Rudifran Pompeu, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, integrante da diretoria do MOTIN-SP)

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"São Paulo é uma cidade plural, com diversos tipos de teatros sendo feito e o fomento ao teatro permitiu que tivesse teatros por toda cidade. Muitos teatros de São Paulo sobrevivem de maneira aguerrida, muitos abrem mão de receber algum salário para manter seu teatro. Quero dizer, o teatro é feito com paixão e o teatro existe em São Paulo como uma força potente culturalmente. Isso aconteceu também por uma parceria com o Poder Público. E dessa parceria, um processo histórico levou muitos dos artistas a ser nomes de prêmios, nomes de salas de teatro, participaram da inauguração de leis como o Prêmio Zé Renato, diversas leis e conquistas. E essas leis permitem uma função e fusão de poder público, estudiosos, críticos, pessoas ligadas às artes. São leis orgânicas conquistadas. A nossa preocupação é com o congelamento. A cultura não respira. E quando a gente congela, e por isso essa mobilização tão grande, colocamos em risco grupos, projetos sérios, pessoas podem perder emprego, teatros podem fechar."

"As ações que estão chegando para gente não indicam o diálogo que a gente esperava. Mais de 40% de congelamento, pra gente, é um tiro no peito. Nosso maior interesse é um diálogo profundo com o poder público, mas o congelamento não é um diálogo. A gente pode ter o compromisso do senhor, secretário, de que vocês vão apoiar estas leis, preservar estes mecanismos, porque cortar 40% de um projeto é invibializar um projeto. Em nome do MOTIN, e dos teatros de Sâo Paulo queremos o compromisso com a continuidade das leis conquistadas após anos de diálogos com o Poder Público, o Legislativo, o Executivo é isso queremos hoje."  Pedro Granato, presidente do MOTIN-SP)

Representantes do teatro e de outros segmentos artísticos endossaram o coro de protesto no encontro com a Secretaria de Cultura


"Teremos um descongelamento pequeno nessa semana. Isso é só uma informação e é resultado da pressão que estamos fazendo, mas isso não vai nos satisfazer. Já disse isso para o secretário de Fazenda hoje, que o que eles vão liberar não me satisfaz. Sou um militante da cultura, não vou ser secretário de cultura para desmontar nada. Eu tenho biografia. Não vou fazer carreira política. Quando eu sair daqui vou fazer filme ou algo relacionado ao cinema que é a minha profissão e meu trabalho. Não serei eu o coveiro de qualquer tipo de programa. Podemos divergir em algumas questões, cada uma tem sua maneira de ver o mundo, mas mantendo o nível do diálogo até onde eu posso ir, até onde vocês vão e até cada um de nós vai." 

"Afirmo meu compromisso com a Cultura de SP, com quem está aqui hoje, majoritariamente do Teatro, mas com certeza gente da Dança, do Circo, da Periferia, enfim, Artes Cênicas é a mistura de tudo e nós vamos estar juntos." 

"Se vocês quiserem formar uma comissão, sugiro que o Rudifran comande, para que possamos dar andamento no diálogo para o que possa ser feito em curto prazo. Porque se tivermos X, vamos usar o X, mas vamos continuar brigando pelo Y, e para isso precisamos dialogar e construir o processo dentro das políticas estruturantes. Vocês têm meu apoio, meu e da minha equipe para essa luta que vai ser dura, vai ser difícil. E queria lembrar que, no ano passado, o orçamento da Secretaria da Cultura foi congelado em 30%. Ou seja, congelar o orçamento é, como disse o Rudifran, algo que acontece não só primeiro ano de gestão, mas em todos os anos. Nós estamos num país que está em crise. Isso não é desculpa para mim. Se alguém me disser que estão colocando o dinheiro do leite no lugar na Cultura, eu vou me levantar da mesa, não admito este tipo de diálogo. Agora, os congelamentos existem. Temos que lutar para que nosso congelamento seja o menor, e se possível, zero. Essa é a luta, esse é nosso objetivo e a gente tem que trabalhar para conseguir." (André Sturm, secretário de cultura)